Não faz muito tempo assim, os manuais para pais de bebês tinham uma rigidez que lembrava a das regras disciplinares do exercito. "Dê de mamar a cada 3 horas.", "Se a criança não quer ficar no berço, feche a porta e deixe-a chorando", "Evite ficar muito tempo com o bebê no colo para não mimá-lo demais."
Em meio a tantas revoluções há uma em curso também na pediatria, onde os atuais avanços nos conhecimentos sobre a fisiologia e a psicologia infantil, e os progressos nos exames, não eram vistos desde o século XIX, quando a saúde da criança foi transformada em especialidade médica. Esses avanços permitem desvendar boa parte do funcionamento do organismo dos pequenos e as notícias trazidas pela ciência dos bebês são animadoras.
Atualmente as orientações para a primeiríssima infância baseiam-se, em sua maioria, em sinais emitidos pelos principais interessados. É o caso da fralda. Podem estar certos, mamãe e papai, de que em algum momento até os quatro anos de idade, o fofinho, ou a fofinha começarão a dar sinal de que não precisam mais de um bumbum tão forradinho.
Essa nova e mais serena visão sobre a vida não tão complicada (mas nem por isso muito tranqüila) dos bebês está esmiuçada no primeiro guia elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria, o mais completo já lançado no Brasil. Publicado pela Editora Monole, "Filhos, da Gravidez até os 2 anos de idade" tem 376 páginas de pura auto-ajuda. Esta tudo ali: como lidar com o choro, regular o uso da chupeta e aliviar as cólicas do seu queridinho, entre outras recomendações.
Seus autores concluíram que, como o leite materno é digerido muito rapidamente e como dois bebês não costumam mamar no mesmo ritmo ou com a mesma intensidade, é impossível fixar um intervalo regular entre as mamadas, O que vale agora é a chamada "mamada guiada" - o bebê determina quando e quanto se alimentar, o que ajuda também a controlar os mecanismos da saciedade.
Fonte: Revista Veja
14/10/2009


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